A corrida é um dos esportes mais populares do mundo e o número de praticantes cresceu substancialmente nas últimas décadas. Sua popularidade está diretamente relacionada aos inúmeros benefícios para a saúde, incluindo melhora da saúde musculoesquelética e vascular, dos índices de composição corporal e aumento do condicionamento cardiorrespiratório.

Além disso, a modalidade pode ser facilmente implementada por ser considerada uma atividade física de baixo custo e de fácil execução. Entretanto, uma das consequências do aumento do número de praticantes é o aumento do número de lesões relacionadas ao esporte.

            Apesar dos benefícios à saúde, as lesões na corrida são comuns e as taxas de incidência variam entre 18,2% e 92,4%, ou 6,8 – 59 lesões a cada 1000 horas de exposição. Uma grande variação das taxas de incidência de lesões pode ser explicada pela diferença das características entre os praticantes, definições distintas sobre o termo lesão utilizadas pelos estudos e abordagens metodológicas sobre o tema. O Comitê Olímpico Internacional define lesão como qualquer dano tecidual ou outro distúrbio da normalidade da função física decorrente da transferência rápida ou repetitiva de energia mecânica. Esse dano tecidual pode acontecer quando ocorre o desequilíbrio entre a capacidade das estruturas musculoesqueléticas e a demanda imposta pela prática da corrida. Quando a capacidade é menor do que a demanda ocorre uma sobrecarga no sistema, o que pode ocasionar uma lesão.

            As lesões possuem natureza multifatorial, ou seja, ela não ocorre por uma causa única e sim uma interação de diversos fatores em um sistema complexo. Por exemplo, ela pode ocorrer devido alterações biomecânicas (como déficit de força de grupos musculares, a baixa amplitude de movimento das articulações, baixa flexibilidade, entre outros), preparação ou prescrição errônea de treinamento, prescrição errada de calçados para a prática esportiva, características antropométricas, influência de fatores psicológicos, etc. Por essa razão, é necessário o acompanhamento e avaliação minuciosa feita por uma equipe multidisciplinar capacitada.

            Francis e colaboradores (2019) identificaram em seu estudo as articulações mais acometidas e quais as lesões mais comuns na corrida. O joelho é a articulação mais sobrecarregada no esporte, seguido pelo tornozelo/pé e a tíbia (canela). A proporção de lesões por localização anatômica não é diferente quando compararam homens e mulheres. Entretanto, a proporção entre os três locais mais atingidos tem impactos diferentes quando foi analisado o sexo separadamente. As lesões do joelho são responsáveis por 40% do total das lesões em mulheres, seguido pelo tornozelo-pé (19%) e tíbia (16%). As lesões são mais uniformemente distribuídas nos homens entre joelho (31%), tornozelo-pé (26%) e a tíbia (21%). Esta diferença pode ser justificada pelas diferenças estruturais ente os sexos, o que interfere na biomecânica de execução da atividade.

            As lesões mais comuns na corrida são de caráter de sobrecarga, decorrente do mecanismo repetitivo (overuse) do esporte, sendo uma modalidade de impacto constante e repetitivo nas estruturas musculoesqueléticas. As 5 lesões mais comuns na corrida são: síndrome fêmoropatelar, tendinopatia do tendão de aquiles, síndrome do estresse medial da tíbia, fasceíte plantar e síndrome da banda ileotibial (ou síndrome do corredor).

  • Síndrome fêmoropatelar (dor anterior no joelho)

            A síndrome femoropatelar é mais comum nas mulheres e é causada pelo funcionamento anormal da patela (rótula). Ela ocorre quando existem forças de cisalhamento entre a patela e a cartilagem do fêmur durante os movimentos de flexão e extensão de joelho, ocasionando dores na região anterior da articulação. Ela é uma lesão comum no considerando a demanda do gestual esportivo da corrida envolvendo movimentos repetitivos de flexo-extensão do joelho. Existem vários fatores relacionados a esta síndrome, como anomalias anatômicas ou morfológicas, déficit de força muscular ou o antecedente de trauma ou cirurgia. 

            Os sintomas são descritos como uma dor atrás ou ao redor da patela, associada com atividades como subir ou descer escadas, agachar, ajoelhar ou permanecer sentado por longos períodos, principalmente com o joelho flexionado.

  • Tendinopatia do tendão de aquiles (dor no calcanhar)

            Os sintomas podem ser dores na região do tendão calcâneo desde a região do calcanhar até 2 a 6 centímetros acima dessa área e em alguns casos pode ser notado um edema (inchaço) na região. É comum em corredores que realizam o primeiro contato com o solo com o antepé, desta forma ocorre maior demanda sobre o tríceps sural (panturrilha).

            Uma lesão nessa região inicia-se com o quadro inflamatório (tendinite) e, quando não tratada corretamente, pode evoluir para uma tendinose, que consiste no processo degenerativo do tendão com enfraquecimento de suas fibras.

  • Síndrome do estresse medial da tíbia (canelite)

            O nome que se dá a essa lesão se difere entre os pesquisadores e os atletas. Na literatura encontramos os termos shin splint, síndrome do compartimento medial da tíbia ou periostite. Porém, entre os corredores o termo que se popularizou foi como “canelite”, isso devido à fácil localização da dor, que se encontra no meio da canela, podendo ser uni ou bilateral.

            Os sintomas surgem ao correr e consiste na dor em queimação ao iniciar a corrida, podendo persistir ou não durante a atividade. A evolução crônica dessa lesão pode levar ao desenvolvimento de uma fratura por estresse.

  • Fasceíte Plantar

            A fasceíte plantar é a sobrecarga do tecido conjuntivo que tem origem na parte inferior do calcanhar e se estende até a base dos dedos. Após sofrer sobrecarga repetitiva durante a corrida, esse tecido apresenta micro lesões na sua estrutura. Um sintoma bem comum é o relato de ao acordar pela manhã e colocar seu pé no chão, há uma sensação de “fisgada” forte na região da sola dos pés.

  • Síndrome da banda ileotibial (síndrome do corredor)

            A síndrome da banda iliotibial é uma das patologias mais comuns em corredores, e se apresenta como uma dor lateral na articulação do joelho que aumenta durante a corrida e cessa quando o atleta interrompe a atividade. Isso ocorre devido à fricção da banda ileotibial (tecido conjuntivo) com o fêmur durante movimentos repetitivos de flexo-extensão do joelho.

            Para prevenir, avaliar o perfil de risco e reabilitar lesões conte com a Equipe Fibra!

 

REFERÊNCIAS

LOPES, Alexandre Dias et al. What are the main running-related musculoskeletal injuries?. Sports medicine, v. 42, n. 10, p. 891-905, 2012.

MESSIER, Stephen P. et al. A 2-year prospective cohort study of overuse running injuries: The runners and injury longitudinal study (TRAILS). The American journal of sports medicine, v. 46, n. 9, p. 2211-2221, 2018.

INTERNATIONAL OLYMPIC COMMITTEE INJURY AND ILLNESS EPIDEMIOLOGY CONSENSUS GROUP et al. International Olympic Committee Consensus Statement: Methods for Recording and Reporting of Epidemiological Data on Injury and Illness in Sports 2020 (Including the STROBE Extension for Sports Injury and Illness Surveillance (STROBE-SIIS)). Orthopaedic Journal of Sports Medicine, v. 8, n. 2, p. 2325967120902908, 2020.

FRANCIS, Peter et al. The proportion of lower limb running injuries by gender, anatomical location and specific pathology: a systematic review. Journal of sports science & medicine, v. 18, n. 1, p. 21, 2019.

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